sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Desonestidade na TV Cultura deprimiu André Sodré

Da Folha.com

Filha de Abreu Sodré diz que pai morreu deprimido com a TV Cultura


A filha de Roberto Costa de Abreu Sodré fez uma revelação inusitada durante a inauguração de um busto em homenagem ao ex-governador de São Paulo na sede da Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura.

Durante o discurso de agradecimento, ela disse que o pai, antes de morrer, estava muito deprimido com a desonestidade que tomou conta da TV e que morreu triste, pois seus propósitos como um dos fundadores da emissora foram deturpados e porque a TV se tornou um "balcão de trocas".

A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta sexta-feira (16).

A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

Escola Keynesiana

A escola Keynesiana ou Keynesianismo é a teoria econômica consolidada pelo economista inglês Jonh Maynard Keynes em seu livro Teoria geral do emprego, do juro e da moeda (General theory of employment, interest and money) e que consiste numa organização político-econômica, oposta às concepções neoliberalistas, fundamentada na afirmação do Estado como agente indispensável de controle da economia, com objetivo de conduzir a um sistema de pleno emprego. Tais teorias tiveram uma enorme influência na renovação das teorias clássicas e na reformulação da política de livre mercado.

A escola keynesiana se fundamenta no princípio de que o ciclo econômico não é auto-regulado como pensam os neoclássicos, uma vez que é determinado pelo "espírito animal" (animal spirit no original em inglês) dos empresários. É por esse motivo, e pela incapacidade do sistema capitalista conseguir empregar todos os que querem trabalhar, que Keynes defende a intervenção do Estado na economia.

A teoria atribuiu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que garantam à população um padrão mínimo de vida como a criação do salário mínimo, do seguro-desemprego, da redução da jornada de trabalho (que então superava 12 horas diárias) e a assistência médica gratuita. O Keynesianismo ficou conhecido também como "Estado de bem-estar social", ou "Estado Escandinavo".

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Anvisa adverte: Veja faz mal à saúde


Publicado no Blog do Rodrigo Vianna


A revista Veja não tem cura. Na edição da semana retrasada, ela estampou na capa o título “O poderoso chefão” e publicou uma “reporcagem” cheia de adjetivos contra o ex-ministro José Dirceu. O seu repórter tentou invadir o apartamento do dirigente do PT e imagens ilegais foram usadas na matéria. A ação criminosa está sendo investigada pela polícia e a Veja está acuada.
Nesta semana, na edição número 2233, a revista preferiu uma capa mais light, talvez tentando esfriar a reação à sua ação mafiosa contra Dirceu. “Parece milagre!” foi a manchete da longa reportagem sobre um novo remédio “que faz emagrecer entre sete a 12 quilos em apenas cinco meses”. Novamente, porém, a revista parece ter cometido outro crime.
Hipoglicemia, náusea e diarréia
Em comunicado oficial, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) imediatamente alertou que o remédio propagandeado pela Veja não deve ser usado como emagrecedor. “A única indicação aprovada atualmente para o medicamento é como agente antidiabético… Não foram apresentados à Anvisa estudos que comprovem qualquer grau de eficácia ou segurança do uso do produto Victoza para redução de peso e tratamento da obesidade”.

Ainda segundo o comunicado, o uso do medicamento para qualquer outra finalidade apresenta “elevado risco para a saúde da população”. O Victoza foi aprovado para comercialização em março de 2010 para uso específico no tratamento de diabetes. A Anvisa informa que foram relatados eventos adversos associados ao medicamento nos estudos clínicos, como dores de cabeça, hipoglicemia, náusea e diarréia. Ela destaca ainda os riscos de pancreatite, desidratação e alteração da função renal e da tireóide.
Propaganda descarada

Como relata Ligia Martins de Almeida, em artigo no Observatório da Imprensa, a revista tem o péssimo costume de propagandear remédios. “Não é a primeira vez que Veja dedica seu precioso espaço para falar de dietas milagrosas… Mas talvez seja a primeira vez que ela usa sua capa para divulgar um produto de forma tão descarada”. Os resultados desta jogada comercial são imediatos.
“O sucesso da matéria pode ser comprovado no site DoceVida, especializado na venda de produtos para diabéticos, que já no domingo trazia a reprodução da capa de Veja com a matéria sobre o remédio. O medicamento, aliás, que só pode ser vendido com receita médica e custa entre 343 e 350 reais nos sites de farmácias especializadas em vendas online… Com a matéria de Veja, certamente a procura – na internet e nos consultórios de endocrinologistas – vai aumentar muito”.
Quem tem culpa no cartório?
“Os pauteiros e editores da revista – felizes com a repercussão da matéria (porque as matérias desse tipo sempre dão excelentes resultados) – não terão qualquer sentimento de culpa se eventualmente se descobrir que os efeitos do tal medicamento podem ser péssimos para quem não tem problemas com glicemia. Até lá, terão mudado os pauteiros e os editores e os próximos poderão discutir o assunto sem qualquer culpa no cartório”.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Aos mestres sem carinho

Postado no Blog da Cidadania- Eduardo Guimarães


Leio na internet que professores da rede pública estadual mineira se acorrentaram a um monumento em uma praça de Belo Horizonte e ali fazem greve de fome para exigir que o governo do Estado (PSDB) lhes pague o piso nacional determinado por lei federal.
Há não muito tempo, em São Paulo, os mestres foram à rua aos milhares protestar por salários decentes. O governo do Estado (PSDB) atirou sua polícia hidrófoba contra manifestantes que foram espancados sem dó nem piedade, como se fossem criminosos.
O salário que o governo mineiro não quer pagar a esses professores revoltosos é de pouco mais de mil reais – não é brincadeira, o valor é esse mesmo!
Repito aqui, portanto, uma história que já contei, mas que precisa ser contada tanto quanto possível na esperança de que sirva para indicar aos professores um caminho, já que os pais dos alunos da escola pública vivem no mundo da lua.
À época da última paralisação de professores paulistas, uma de minhas filhas hospedava uma amiga francesa, professora universitária que veio ao Brasil em intercâmbio com a USP. Quando a moça soube que haveria manifestação ali perto (minha filha mora perto da avenida Paulista), quis ir ver.
Quanto ao tamanho da manifestação, achou extremamente pequena para um país deste tamanho, apesar de ter reunido dezenas de milhares de docentes. Mas o que mais a espantou foi não ter visto os pais dos alunos e os próprios unidos aos mestres no protesto.
Celine, a jovem docente francesa, comentava que se os professores da rede pública de seu país fossem mal pagos como os do nosso os pais dos alunos quebrariam tudo e paralisariam o país, pois lá quase todo mundo estuda em escola pública, como aqui.
Paulistas, mineiros, enfim, o povo de todas as unidades da federação não se revolta contra os governos estaduais e municipais. A mídia, que no Brasil é toda de direita, não estimula os pais dos alunos a apoiarem os professores porque eles são sindicalizados e a direita odeia sindicatos.
Em vez de os professores saírem sozinhos à rua enquanto a mídia entrevista madames motorizadas e revoltadas com os manifestantes porque pararam o tráfego – obviamente porque têm seus filhos na rede privada de ensino –, deveriam conscientizar os pais dos alunos.
Uma paralisação das redes públicas estaduais e municipais que reunisse professores, alunos e mestres obrigaria esses governos irresponsáveis a investirem de verdade em Educação, porque dinheiro há. Mas é mais fácil contarem com a mídia para demonizar os professores.
A imprensa fica ao lado de governadores corruptos e irresponsáveis como os de São Paulo e Minas Gerais porque compram publicidade oficial ou assinaturas da Veja, do Estadão, da Folha, do Estado de Minas etc. E o futuro do país que se dane.
Não adianta professores se acorrentarem a monumentos e fazerem greve de fome para ganhar pouco mais de mil reais. Têm que começar a preparar paralisação que conte com pais dos alunos. Aí quero ver o Alckmin ou o Anastasia mandarem suas polícias agredi-los.
Se você quer combater a mídia que ajuda a manter a Educação brasileira nesse estado, adira ao ato público que o Movimento dos Sem Mídia fará no Masp, em São Paulo, no próximo sábado, às 14 horas.
*
Veja, abaixo, o vídeo que mostra situação dos docentes mineiros e o transe em que vive uma população que trata sem o menor carinho aqueles que espera que se dediquem aos seus filhos.



domingo, 11 de setembro de 2011

O acaso direciona nossas vidas, diz físico



Por Edsonmarcon
De O Globo
O físico Leonard Mlodinow fala como a aleatoriedade define o futuro
Cesar Baima
Pode-se dizer que o físico americano Leonard Mlodinow é um homem de sorte. Seus pais, judeus europeus, sobreviveram ao Holocausto e emigraram para os EUA, onde se casaram. Anos mais tarde, ele estava bem embaixo das Torres Gêmeas no momento dos atentados do 11 de Setembro, escapando com ferimentos leves. Mas, onde alguns veriam a mão de Deus, o físico vê o poder da probabilidade e como os eventos mais fortuitos podem ter grandes consequências na vida de cada um. Essa visão o levou a escrever o best-seller "O andar do bêbado - Como o acaso determina nossas vidas" (Editora Zahar) e, mais recentemente, "O grande projeto" (Editora Nova Fronteira), parceria com Stephen Hawking em que defendem a ideia de que criação do Universo prescinde de Deus. No Rio para a Bienal do Livro, ele concedeu entrevista a O GLOBO.

No livro "O andar do bêbado", o sr. diz que o acaso faz parte da vida, mas, muitas vezes, não o percebemos corretamente. Em que áreas ele está mais presente e como lidar com ele?

LEONARD MLODINOW: O acaso está presente em todos os aspectos das nossas vidas. Por exemplo, na nossa vida pessoal. Algumas vezes não conheceríamos uma pessoa se não fosse por algum pequeno evento aleatório, como estar atrasado ou adiantado para pegar um trem. Ou podemos tomar um café, pegar o carro dois minutos mais tarde que o usual e algum motorista bêbado ultrapassar um sinal vermelho e bater em nós. Isso também acontece nos negócios e na vida profissional. No livro conto a história de Bill Gates, em que alguém da IBM o procurou por estarem precisando de um sistema operacional para seus computadores pessoais. Gates não tinha um pronto, mas conhecia alguém que tinha e teve a oportunidade de comprar o sistema dessa pessoa e licenciá-lo para a IBM. Então, se a IBM tivesse procurado outra pessoa, Bill Gates não seria o Bill Gates que conhecemos. Mesmo com todo talento e habilidade, ele ainda poderia ser apenas um executivo qualquer.

O GLOBO. Mas mesmo diante do fato de que Bill Gates teve a sorte de ser procurado, ele conhecia alguém que tinha o produto procurado. Neste caso, parafraseando Louis Pasteur, a sorte não favoreceu quem estava preparado?

MLODINOW: Certamente. Não estou dizendo que tudo depende do acaso, mas que as pessoas ignoram o fato de que o acaso tem um papel importante em suas vidas. Se você não estiver preparado, não tiver talento ou habilidade, ou não trabalhar duro, quando a oportunidade vier você não vai poder tirar vantagem dela. A mensagem do livro é que o importante é como você reage a essas situações aleatórias. Não que a vida seja feita só de acasos. Ela é uma combinação de vários acasos e suas reações a eles. Mas as pessoas veem a história de Bill Gates como a de alguém extraordinário que deu o primeiro passo, depois o segundo e assim por diante, como se estivesse seguindo um plano prévio para ser quem é e construir o que construiu. Mas essa não é a maneira que as coisas acontecem. É muito raro que as coisas aconteçam exatamente como se planeja. Mesmo na ciência muitas descobertas são feitas por acaso por pessoas que estavam pesquisando uma coisa e acabam se deparando com outra. O que acontece é que elas foram espertas o bastante para perceberem o que estava se passando.

O GLOBO. Pode-se dizer, no entanto, que o sr. é um homem de sorte, que há muitos acasos favoráveis na sua vida. Logo no início de o "O andar do bêbado", o sr. destaca que se não fosse por Hitler não teria nascido. Seus pais sobreviveram ao Holocausto e o sr. mesmo sobreviveu ao 11 de Setembro. Como responde aos que dizem que isso foi algum tipo de ação de Deus?

MLODINOW:Ora, se Deus salvou meus pais, Ele também matou toda a família deles? Ele decidiu que os cinco irmãos e irmãs do meu pai deveriam morrer, seus filhos deveriam morrer, meus avós e toda família deveriam morrer só para meu pai e minha mãe viverem? Estou lançando um livro com Deepak Chopra em que debatemos um com outro. Chopra gosta de acreditar em um Deus benevolente e diz que o amor é uma constante que permeia o Universo. Mas e quanto ao outro lado? É muito fácil dizer: "você não acredita que Deus o salvou?" . Mas e todas as outras pessoas que morreram? Que Deus malvado é esse?

O GLOBO. O sr. se definiria como ateu?
MLODINOW:Diria que sou agnóstico, mas não vejo muita diferença entre um ateu e um agnóstico. Não tenho certeza porque não há prova de que Deus não existe, assim como não sei se tudo isso é apenas um sonho de meu cérebro flutuando no espaço. Um ateu diria que não há nenhum Deus. Já eu digo que não há provas de que Deus não existe, assim como não há provas de que Ele existe. Outro dia tive uma descoberta sobre minhas próprias crenças. Em uma entrevista, perguntaram-me se eu acreditava que havia vida inteligente em algum outro lugar no Universo. É engraçado porque eu creio nisso, embora não haja nenhuma razão científica para tal. Assim, eu entendo por que as pessoas têm fé em Deus porque eu sinto essa mesma fé, mas pelo menos reconheço que não tenho bases para acreditar nisso.

O GLOBO. Dez anos depois do 11 de Setembro, como o sr. se lembra daquele dia?

MLODINOW: Lembro muito bem... Como se pode esquecer algo assim? Eu estava do lado de fora, embaixo do World Trade Center. É uma longa história e não quero falar muito sobre isso. Eu estava lá e vi o avião passando sobre nossas cabeças e atingindo o WTC, todo o fogo e destroços caindo em cima de nós. Naquela hora ninguém sabia o que estava acontecendo.

O GLOBO. O sr. também tem muita aleatoriedade na sua vida, tendo começado como estudante de química, depois se voltando para a física, escrevendo roteiros para Hollywood (de Jornada nas Estrelas e MacGyver), virando editor e autor de livros de ciência e, por fim, voltando à academia. O sr. segue o andar do bêbado?

MLODINOW:Todos têm algum grau de aleatoriedade em suas vidas, mas realmente eu a sigo mais do que a maioria. Quando sinto que tenho que fazer algo ou quando uma oportunidade surge, não sou conservador. Sigo minha intuição e minhas vontades. Recusei um emprego seguro em uma universidade para vender meus roteiros e consegui o que milhares tentam e não conseguem. O melhor é tentar ser feliz com que se escolhe. Nunca se sabe com certeza o que vai acontecer, então é sempre bom estar preparado para tudo.