sábado, 20 de outubro de 2012


Após quase noventa dias de massacre midiático do Partido dos Trabalhadores perpetrado graças à muleta eleitoral oposicionista em que se converteu o julgamento do mensalão, a eleição em São Paulo adquiriu um caráter de detergente da alma de dezenas de milhões de brasileiros, sejam militantes filiados ao partido, sejam simpatizantes como este que escreve.
 
Durante esse trimestre obscurantista, o que há de mais reacionário, corrupto e rico no país elucubrou previsões tenebrosas sobre a destruição moral e física do partido mais querido pelos brasileiros e do ex-presidente da República que, dois anos após deixar o poder, continua campeão de popularidade.
 
Os desejos e previsões nazifascistas do PSDB, do DEM, do PPS, da Globo, da Folha, da Veja, do Estadão, dos “colunistas” desses veículos, do procurador-geral da República e de parcela dos ministros do STF de que a farsa encenada naquela Corte causaria “efeito eleitoral” contra o PT acabaram ganhando um termômetro: a disputa eleitoral entre Fernando Haddad e José Serra.
 
Não faltaram previsões de que Lula, por conta do julgamento, estaria liquidado como arquiteto de fenômenos eleitorais como Dilma Rousseff. Afinal, parecia improvável que, no momento em que a própria cúpula do Judiciário se engajava politicamente, o partido que diziam que caminhava para a extinção conseguisse vencer onde suas dificuldades eleitorais eram maiores.
 
A direita midiática está perplexa, boquiaberta, estarrecida, desorientada. Nesse estado de profunda confusão mental, ao não entender como é possível que mais um plano infalível contra Lula e o PT tenha dado errado, produz aberrações como a da colunista da Folha de São Paulo Eliane Cantanhêde, que, na última sexta-feira, comparou Lula à ditadura militar.
 
Outros, por força das próprias besteiras que proferiram, têm que se render ao fato de que todo o esforço dos veículos de comunicação que o PSDB comprou com dinheiro público, foi em vão.
Fernando Rodrigues, também colunista da Folha, havia escrito naquele jornal sobre a improbabilidade da vitória de Fernando Haddad, que, ocorrendo, seria um dos maiores fenômenos eleitorais da história. Exageros à parte, na coluna deste sábado ele se dá conta do erro que cometeu. Abaixo, sua coluna deste sábado, 20 de outubro.
 
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FOLHA DE SÃO PAULO
 
20.10.2012
 
FERNANDO RODRIGUES
Hegemonia PT 3.0
 
BRASÍLIA – Fernando Haddad protagonizou uma das mais espetaculares recuperações numa campanha para prefeito de São Paulo e deve dar ao PT, dizem as pesquisas, o comando da maior cidade do país.
 
A eleição paulistana é um passo relevante no projeto de hegemonia política do PT. Nenhum partido cresce de maneira orgânica e consistente como o PT a cada disputa municipal. A sigla sempre se sai melhor.
 
PMDB, PSDB, DEM (o antigo PFL) e outros já tiveram dias de glória, mas acumulam também vários revezes. O PT, não. Só cresce.
 
Embora já tenha vencido em São Paulo duas vezes (em 1988, com Luiza Erundina, e em 2000, com Marta Suplicy), agora com Fernando Haddad é uma espécie de PT 3.0 que pode chegar ao poder.
 
Não há outro partido da safra pós-ditadura militar que tenha conseguido fazer essa transição de gerações. O poderio sólido e real que o PT constrói encontra rival de verdade apenas na velha Aliança Renovadora Nacional (Arena), a agremiação criada pelos generais para comandar o Brasil -com a enorme diferença de hoje o país viver em plena democracia.
 
Alguns dirão que o PMDB mandou muito no final dos anos 80. Mais ou menos. Tratava-se de um aglomerado de políticos filiados a uma mesma sigla. Não havia orientação central.
O PSDB ganhou em 1994 o Planalto e os governos de São Paulo, Rio e Minas Gerais. Muito poder. Só que os tucanos nunca tiveram um “centralismo democrático” (sic) “à la PT”.
 
No dia 28 de outubro, há indícios de que o PT novamente sairá das urnas como o grande vencedor nas cidades com mais de 200 mil eleitores, podendo levar pela terceira vez a joia da coroa, São Paulo.
 
Ao votar dessa forma, o eleitor protagoniza duas atitudes -e não faço aqui juízo de valor, só constato. Elege seu prefeito e entrega à sigla de Lula um grande voto de confiança para fazer do PT cada vez mais um partido hegemônico no país.
 
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A mera comparação do texto acima com tudo o que esse e outros pistoleiros do Partido da Imprensa Golpista previram sobre o PT há algumas semanas revela o tamanho da incompetência dessa gente para fazer análises políticas… Ou não.
 
Afinal, o que a pistolagem midiática disse antes fora apenas torcida (ainda que consciente), forjada na crença em uma força da mídia que começou a sumir em 2002.
 
Ainda assim, será estudado, por décadas, o fenômeno que se produziu nas eleições de 2012, quando fracassou miseravelmente o maior ataque comunicacional que um partido e um líder político já sofreram no Brasil em mais de um século de vida republicana, operação empreendida ao custo de centenas de milhões de dólares.
 
No primeiro turno da eleição de 2012, até as pesquisas de opinião foram recrutadas para tentarem impedir o que o articulista da Folha reproduzido logo acima constata enquanto se vê atolado até o nariz na frustração do fracasso.
 
A certeza de que a mídia perdeu quase todo o seu poder histórico de manipular o eleitorado brasileiro, nunca foi tão grande. Até porque, tentativa de manipulação eleitoral como a que se viu em 2012, é inédita. O partidarismo, que era só da mídia, chegou às cúpulas do Judiciário e do Ministério Público, forjando uma maquina política jamais vista.
 
Como? Quando? Onde? Por que? A mídia, a direita mais vil, reacionária, corrupta e cara-de-pau está atônita, desorientada, perguntando-se o que foi que a atingiu.
 
O PT continua uma força eleitoral que o desconhecimento sobre o povo brasileiro de que essa gente padece a impede de entender, pois só quem se beneficiou das políticas vitoriosas do governo Lula na década passada, e das do governo Dilma Rousseff nesta, sabe por que ninguém mais dá bola a Globos, Folhas, Vejas e Estadões.
 
Dito tudo isso, porém, este blog, que durante os últimos meses jamais hesitou em confiar na revolução social que Lula, o PT e Dilma promoveram no Brasil, agora vem fazer um apelo à militância do partido.
 
A vitória do PT em São Paulo no próximo dia 28 de outubro será um duro golpe no golpismo que o julgamento do mensalão açulou entre as forças corruptas do atraso que ainda infelicitam o Brasil. Até porque, Haddad emerge como uma liderança que, seguramente, dá o primeiro passo para uma carreira política de perspectivas ilimitadas.
 
Se Haddad fizer o que é preciso fazer para civilizar São Paulo durante os próximos oito anos em que poderá governar a cidade, em 2022, então quase sexagenário, ele estará apto a disputar a Presidência da República. Não é pouco.
 
Todavia, tudo o que foi dito neste artigo não passa de mera especulação. Inclusive a vitória de Haddad. Isso porque, simplesmente, ninguém ganhou coisa nenhuma até agora, pois pesquisa não é eleição, que só acaba quando termina – ou seja: quando o último voto for apurado.
 
Nesse aspecto, a larga vantagem de Haddad sobre José Serra é um tanto quanto perigosa pelo potencial desmobilizador da militância que encerra. E isso quando se sabe que a vitória dele que vai se desenhando se deve, em imensa parcela, ao trabalho infatigável dessa militância gigantesca com que o PT conta desde a sua fundação.
 
Disse bem o presidente do partido, Rui Falcão, quando, semanas atrás, avisou à direita que o PT reage ainda mais quando acuado. E foi o que se viu. Este militante, apesar de não ser filiado, entendeu que militar pela eleição de Haddad era militar pela democracia em um momento em que políticos, jornalistas e até juízes inescrupulosos tentavam estuprá-la.
 
Porém, a perspectiva de vitória do PT no único lugar em que a direita midiática jamais admitiu que pudesse ocorrer não só pela confiança na burrice do povo que acalenta, mas pelo potencial de tal vitória se tornar um golpe mortal, já pôs a mídia e os tucanos em desespero.
 
No dia em que escrevo, faltam mais oito dias para a eleição. Revendo as experiências dos últimos vinte e tantos anos, o que se sabe é que, na reta final, a direita midiática sempre forjou algum escândalo para derrotar o PT. Desde 1989 é assim e parece difícil que isso mude agora.
 
Até o dia 28, portanto, parece quase impossível que PSDB, Folha, Estadão, Globo ou Veja não tentem uma última cartada contra Haddad, pois, como não é segredo para ninguém, a eleição paulistana virou nacional. E o quadro se agrava por a disputa envolver o político brasileiro mais sujo deste século, José Serra, capaz de tudo para vencer uma eleição.
 
Respeitosamente, portanto, ciente de que sou apenas mais um militante nessa luta encarniçada contra o obscurantismo midiático-reacionário, venho conclamar a militância petista (filiada e simpatizante) a atuar como se Haddad e Serra estivessem empatados. Esse é o espírito que precisa nos nortear até o fechamento das urnas.
 
Fonte: http://www.blogdacidadania.com.br/2012/10/eleicao-so-acaba-quando-termina/

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O levante da ralé paulistana



O cinturão-vermelho de São Paulo é um fenômeno geopolítico incômodo para certa elite de uma cidade que abriga os maiores contrastes sociais do país, pois representa o reduto eleitoral do partido preferido pela população mais pobre, a população da periferia.

O mapa eleitoral da capital paulista é azul-tucano no centro e vermelho-petista ao redor – daí a expressão “cinturão-vermelho”. Com efeito, as regiões melhor atendidas pelo governo local votam nele e as mais desassistidas votam na oposição.

Quem não conhece São Paulo, deve ficar intrigado. Será que há muito mais ricos do que pobres na cidade, para que os votos dos ricos superem os dos pobres eleição após eleição?

Não é assim. Quem vier a esta cidade em um fim de semana, sobretudo em um domingo, notará que o centro expandido, nesses dias, fica quase vazio, enquanto que a periferia abunda de gente.

Ora, mas se é assim por que a periferia sempre teve tanta dificuldade em dar votação majoritária ao PT?

Há vários fatores que geraram esse fenômeno – até há pouco. Por exemplo, a população da periferia é de origem majoritária do Norte e Nordeste e o fato doloroso é que boa parte dessa população veio para cá e não transferiu títulos de eleitor, além de não dar bola para política.

Além disso, a pobreza, a miséria e a má formação educacional propiciaram aos políticos conservadores enganarem essa população da periferia, levando boa parte dela – ainda que minoritária – a votar nos candidatos que, eleitos, governariam para os mais ricos.

Eis que, assim, a elite articulada das regiões centrais sempre fez a festa e elegeu quem entendeu que iria administrar para si.

Por conta disso, os candidatos dos mais ricos sempre levaram a melhor na capital paulista após a volta das eleições para prefeito nas capitais, em 1985. São Paulo elegeu Jânio Quadros, Paulo Maluf, Celso Pitta, José Serra e Gilberto Kassab contra, apenas, Luiza Erundina e Marta Suplicy.

Note-se que, sempre no pós-redemocratização, governos de esquerda só tiveram um mandato cada, enquanto que governos de direita tiveram dois – à exceção de Jânio, que só teve um. Foram, pois, cinco governos conservadores contra dois progressistas.

Em 2004, quando o conservador da vez derrotou a progressista que governava havia só quatro anos, o Brasil apenas ensaiava o progresso social que marcaria o país na primeira década do século XXI.

Marta vinha fazendo um governo de forte inclusão social. Para financiar esses programas voltados para a população mais pobre, no entanto, teve que taxar os mais ricos, pois a cidade estava falida após a passagem do furacão Maluf-Pitta.

E não é que a direita rica e minoritária, valendo-se da ojeriza da elite a pagar impostos, conseguiu dividir a imensa maioria pobre de forma a induzi-la a votar em Serra, eleito para reverter o investimento no social de Marta na periferia, direcionando os recursos para os bairros mais abastados?

O resultado desse erro foi catastrófico, mas não só para a periferia. A desatenção ao social fez da cidade um caos. Hoje, inclusive nas regiões que se beneficiam de governos conservadores, a situação ficou insustentável. São Paulo virou um inferno na Terra. Para todos, ricos e pobres.

Todavia, apesar do baixíssimo investimento no social e do abandono da Educação pública por Serra-Kassab, a evolução do Brasil e programas federais como o Prouni elevaram o nível de consciência da população jovem do cinturão-vermelho.

Essa juventude pobre, mas que estuda e vai adquirindo consciência social, está fazendo a população que vivia alienada tirar títulos de eleitor e votar direito.

Com o avanço social extremo que o Brasil experimentou nos últimos anos, portanto, os mais pobres também de São Paulo começaram a almejar um governo voltado para as regiões mais desassistidas da cidade.

O fenômeno Celso Russomano decorreu desse processo de percepção pelos paulistanos mais pobres de que o PSDB e o DEM (ou PSD) não governam para si e de que é preciso eleger um prefeito que o faça.

Essa massa pobre de São Paulo que vem melhorando seu padrão intelectual – vale repetir – agora passa a liderar a massa ainda absorta na ignorância e a induzi-la a votar em causa própria.

Aí a explicação para um fenômeno que está deixando a direita midiática boquiaberta. Esta, achava que continuava tudo dominado. Seria um passeio dividir de novo a periferia, ainda que a maioria dela votasse no PT. E o julgamento do mensalão facilitaria ainda mais as coisas…

Com os votos da parte minoritária e idiotizada da periferia unidos aos votos massivos dos bairros “nobres” – nos quais políticos como Serra chegam a ter 90% de preferência –, a direita continuaria no poder para manter ricos e pobres onde sempre estiveram.

A pesquisa Ibope sobre a eleição em São Paulo divulgada ontem, no entanto, mostra que a ralé paulistana acordou para o fato de que eleger políticos como Serra é uma sentença de morte para quem está confinado a bairros periféricos que lembram países miseráveis da África.

Observação: para quem ainda não sabe – se é que isso é possível –, na última pesquisa Ibope Fernando Haddad disparou, abrindo 16 pontos de vantagem sobre Serra. E a grande maioria dos seus votos vem da periferia.

Esse fenômeno não deveria ser uma surpresa, apesar de ser. Afinal, a história mostra que, em algum momento, todas as populações pobres pisoteadas pelas elites acabam adquirindo consciência política e passam a votar em causa própria.

A eleição de 2012 em São Paulo, assim, vai unindo a maior metrópole do país a ele como um todo. Pelo visto, os desassistidos daqui entenderam que mesmo que o PT não seja o ideal é o único partido que os pobres têm para melhorar suas vidas.

Antes tarde do que nunca.


Fonte: http://www.blogdacidadania.com.br/2012/10/o-levante-da-rale-paulistana/

terça-feira, 16 de outubro de 2012

São Paulo tem o dever de livrar o Brasil de um sociopata




Segunda-feira, 15 de outubro de 2012. Recomeça o horário eleitoral para os candidatos que disputarão em segundo turno o cargo de prefeito em diversas cidades. Em uma delas, porém, o que está em jogo é muito mais do que possa haver em qualquer outra parte do país.

São Paulo, a maior metrópole da América do Sul e uma das maiores do mundo, padece do próprio gigantismo e de contrastes sociais geradores de criminalidade, de esgotamento dos serviços públicos e, acima de tudo, de iminente colapso da mobilidade urbana.

Nas próximas duas semanas, na capital paulista, será travado um combate que, se chegar a bom termo, interessa a todo o Brasil porque pode debilitar eleitoralmente, no futuro, um político que constitui ameaça ao país por conta do estado de suas faculdades mentais.

A campanha eleitoral de 2010 mostrou muita coisa sobre José Serra ao Brasil, mas a de 2012 está tratando de mostrar quem ele é ao reduto eleitoral que tem sido responsável por sua sobrevida política, apesar de, nacionalmente, já ter perdido maior importância.

O que vai despertando São Paulo para os fatos sobre Serra é a progressiva tomada de consciência da maioria do povo da cidade de que o desastre no qual está submersa decorre dos meios que deu a esse homem para piorar a sua vida ao votar em seu títere, Gilberto Kassab, o prefeito paulistano mais mal-avaliado desde Celso Pitta.

Se o atual alcaide paulistano atua mal, porém, não se pode atribuir culpa só a ele, até porque segue a linha herdada da administração relâmpago que Serra perpetrou contra a cidade antes de abandonar um mandato popular que prometera cumprir até o último dia.

A mentira compulsiva e descarada e a ausência de constrangimento ao ser flagrado mentindo é outro sintoma eloquente da sociopatia, assim como a deslealdade, a tendência a golpes baixos, a ojeriza a ser contrariado, a arrogância, o autoritarismo…

Serra é, basicamente, um engodo midiático. Odiado pelos jornalistas por tratar como inimigo qualquer um que lhe faça uma pergunta incômoda, estabeleceu acordos – não se sabe de que tipo, ainda que seja de imaginar – com donos de impérios de comunicação que, ao longo da década passada, dispuseram-se até a demitir jornalistas que ousassem questioná-lo.

Os golpes baixos contra adversários se tornam escandalosamente evidentes já a partir de 2010, quando lança mão de picaretas exploradores da fé religiosa do povo para tentar imputar à então adversária Dilma Rousseff a pecha de “abortista”

Ainda naquela campanha, a mitomania reaparece e o país descobre que Serra e sua mulher foram autores de ao menos um aborto, o que não os impediu de acusarem Dilma do que eles mesmos praticaram.
Vale sempre esclarecer que não se considera, aqui, que ter abortado desqualifica Serra ou sua mulher; o que os desqualificou foi fazerem à adversária acusação de prática que não sabem se ela adotou, mas que eles adotaram.

A mitomania não está presente só na promessa descumprida ou na atribuição a outrem da prática abortiva. Desta vez, esse político perigoso – pelo apoio que recebe da mídia – lança mão de novo de fundamentalismo religioso atribuindo a adversários o que também já praticou.

Serra, com seu discurso fundamentalista-religioso fajuto, vem contribuindo para aumentar os casos de homofobia violenta em São Paulo ao espalhar que seu adversário pretenderia levar crianças a se tornarem homossexuais por meio de um “kit-gay”.

O conceito “gay”, então, cria, para a população, a imagem de uma ameaça, quando, em verdade, é apenas uma parte da natureza humana. Ainda assim, Serra insiste em caricaturar homossexuais, com as conseqüências que todos conhecem…

Agora, porém, descobre-se que, quando Serra governou o Estado de  São Paulo, algum resquício de lucidez em sua equipe de governo gerou material para as escolas combaterem a homofobia violenta, que vai explodindo nesta parte do país.

Não, Serra não é moralista. Condena o aborto, mas pratica; condena a produção de material contra discriminação por orientação sexual, mas seu governo produz material análogo. A mitomania é um sintoma da sociopatia, como já disse.

O uso da imprensa aliada – sabe-se lá em que bases – para criminalizar adversários através de jogadas forjadas constitui outro traço do sociopata. O uso de jogadas desleais contra quem se interponha no caminho de pacientes desses distúrbios comportamentais, é um padrão.

Assusta que um candidato que passou o primeiro turno inteirinho só tratando de acusar os adversários, recusando-se a discutir a administração que a população paulistana rejeita e pela qual ele é responsável, só agora apresente um programa de governo.

Habituado a ser blindado pela mídia contra questionamentos, Serra nem se preocupa mais com essas contradições. Para que apresentar programa de governo se os meios de comunicação estão a ecoar seus arreganhos homofóbicos e moralistas?

Seja como for, as pesquisas sobre o segundo turno em São Paulo já mostram que o trauma que a gestão Serra-Kassab impôs à cidade fez despertar uma boa parcela de sua população que se dera ao luxo de comprar seus factóides midiáticos, mas que parou de comprar.

São Paulo criou essa aberração política revestida de hipocrisia e estufada de embustes ideológicos e a mesma São Paulo, agora, terá como se redimir dando um sonoro não a um político que é pernicioso por razões que ele mesmo parece desconhecer.


Fonte: http://www.blogdacidadania.com.br/2012/10/sao-paulo-tem-o-dever-de-livrar-o-brasil-de-um-sociopata/

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A carta de Miruna Genoino em defesa do pai

A coragem é o que dá sentido à liberdade

A coragem é o que dá sentido à liberdade

Com essa frase, meu pai, José Genoino Neto, cearense, brasileiro, casado, pai de três filhos, avô de dois netos, explicou-me como estava se sentindo em relação à condenação que hoje, dia 9 de outubro, foi confirmada.

Uma frase saída do livro que está lendo atualmente e que me levou por um caminho enorme de recordações e de perguntas que realmente não têm resposta.

Lembro-me que quando comecei a ser consciente daquilo que meus pais tinham feito e especialmente sofrido, ao enfrentar a ditadura militar, vinha-me uma pergunta à minha mente: será que se eu vivesse algo assim teria essa mesma coragem de colocar a luta política acima do conforto e do bem estar individual? Teria coragem de enfrentar dor e injustiça em nome da democracia?

Eu não tenho essa resposta, mas relembrar essas perguntas me fez pensar em muitas outras que talvez, em meio a toda essa balbúrdia, merecem ser consideradas...

Você seria perseverante o suficiente para andar todos os dias 14 km pelo sertão do Ceará para poder frequentar uma escola? Teria a coragem suficiente de escrever aos seus pais uma carta de despedida e partir para a selva amazônica buscando construir uma forma de resistência a um regime militar? Conseguiria aguentar torturas frequentes e constantes, como pau de arara, queimaduras, choques e afogamentos sem perder a cabeça e partir para a delação? Encontraria forças para presenciar sua futura companheira de vida e de amor ser torturada na sua frente? E seria perseverante o suficiente ao esperar 5 anos dentro de uma prisão até que o regime político de seu país lhe desse a liberdade?

E sigo...

Você seria corajoso o suficiente para enfrentar eleições nacionais sem nenhuma condição financeira? E não se envergonharia de sacrificar as escassas economias familiares para poder adquirir um terno e assim ser possível exercer seu mandato de deputado federal? E teria coragem de ao longo de 20 anos na câmara dos deputados defender os homossexuais, o aborto e os menos favorecidos? E quando todos estivessem desejando estar ao seu lado, e sua posição fosse de destaque, teria a decência e a honra de nunca aceitar nada que não fosse o respeito e o diálogo aberto?

Meu pai teve coragem de fazer tudo isso e muito mais. São mais de 40 anos dedicados à luta política. Nunca, jamais para benefício pessoal. Hoje e sempre, empenhado em defender aquilo que acredita e que eu ouvi de sua boca pela primeira vez aos 8 anos de idade quando reclamava de sua ausência: a única coisa que quero, Mimi, é melhorar a vida das pessoas...

Este seu desejo, que tanto me fez e me faz sentir um enorme orgulho de ser filha de quem sou, não foi o suficiente para que meu pai pudesse ter sua trajetória defendida. Não foi o suficiente para que ganhasse o respeito dos meios de comunicação de nosso Brasil, meios esses que deveriam ser olhados através de outras tantas perguntas...

Você teria coragem de assumir como profissão a manipulação de informações e a especulação? Se sentiria feliz, praticamente em êxtase, em poder noticiar a tragédia de um político honrado? Acharia uma excelente ideia congregar 200 pessoas na porta de uma casa familiar em nome de causar um pânico na televisão?

Teria coragem de mandar um fotógrafo às portas de um hospital no dia de um político realizar um procedimento cardíaco? Dedicaria suas energias a colocar-se em dia de eleição a falar, com a boca colada na orelha de uma pessoa, sobre o medo a uma prisão que essa mesma pessoa já vivenciou nos piores anos do Brasil?

Pois os meios de comunicação desse nosso país sim tiveram coragem de fazer isso tudo e muito mais.
Hoje, nesse dia tão triste, pode parecer que ganharam, que seus objetivos foram alcançados. Mas ao
encontrar-me com meu pai e sua disposição para lutar e se defender, vejo que apenas deram forças para que esse genuíno homem possa continuar sua história de garra, HONESTIDADE e defesa daquilo que sempre acreditou.


Nossa família entra agora em um período de incertezas. Não sabemos o que virá e para que seja possível aguentar o que vem pela frente pedimos encarecidamente o seu apoio. Seja divulgando esse e/ou outros textos que existem em apoio ao meu pai, seja ajudando no cuidado a duas crianças de 4 e 5 anos que idolatram o avô e que talvez tenham que ficar sem sua presença, seja simplesmente mandando uma palavra de carinho. Nesse momento qualquer atitude, qualquer pequeno gesto nos ajuda, nos fortalece e nos alimenta para ajudar meu pai.

Ele lutará até o fim pela defesa de sua inocência. Não ficará de braços cruzados aceitando aquilo que a mídia e alguns setores da política brasileira querem que todos acreditem e, marca de sua trajetória, está muito bem e muito firme neste propósito, o de defesa de sua INOCÊNCIA e de sua HONESTIDADE. Vocês que aqui nos leem sabem de nossa vida, de nossos princípios e de nossos valores. E sabem que, agora, em um dos momentos mais difíceis de nossa vida, reconhecemos aqui humildemente a ajuda que precisamos de todos, para que possamos seguir em frente.

Com toda minha gratidão, amor e carinho,

Miruna Genoino
09.10.2012

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Guerreiro do povo brasileiro - José Dirceu



                                                         AO POVO BRASILEIRO


Publicado em 09-Out-2012


No dia 12 de outubro de 1968, durante a realização do XXX Congresso da UNE, em Ibiúna, fui preso, juntamente com centenas de estudantes que representavam todos os estados brasileiros naquele evento. Tomamos, naquele momento, lideranças e delegados, a decisão firme, caso a oportunidade se nos apresentasse, de não fugir.

Em 1969 fui banido do país e tive a minha nacionalidade cassada, uma ignomínia do regime de exceção que se instalara cinco anos antes.
Voltei clandestinamente ao país, enfrentando o risco de ser assassinado, para lutar pela liberdade do povo brasileiro.

Por 10 anos fui considerado, pelos que usurparam o poder legalmente constituído, um pária da sociedade, inimigo do Brasil.

Após a anistia, lutei, ao lado de tantos, pela conquista da democracia. Dediquei a minha vida ao PT e ao Brasil.

Na madrugada de dezembro de 2005, a Câmara dos Deputados cassou o mandato que o povo de São Paulo generosamente me concedeu.

A partir de então, em ação orquestrada e dirigida pelos que se opõem ao PT e seu governo, fui transformado em inimigo público numero 1 e, há sete anos, me acusam diariamente pela mídia, de corrupto e chefe de quadrilha.

Fui prejulgado e linchado. Não tive, em meu benefício, a presunção de inocência.

Hoje, a Suprema Corte do meu país, sob forte pressão da imprensa, me condena como corruptor, contrário ao que dizem os autos, que clamam por justiça e registram, para sempre, a ausência de provas e a minha inocência. O Estado de Direito Democrático e os princípios constitucionais não aceitam um juízo político e de exceção.

Lutei pela democracia e fiz dela minha razão de viver. Vou acatar a decisão, mas não me calarei. Continuarei a lutar até provar minha inocência. Não abandonarei a luta. Não me deixarei abater.
Minha sede de justiça, que não se confunde com o ódio, a vingança, a covardia moral e a hipocrisia que meus inimigos lançaram contra mim nestes últimos anos, será minha razão de viver.


Vinhedo, 09 de outubro de 2012
José Dirceu

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Lewandowski contra marionetes do autoritarismo




Ao absolver José Genoino, o ministro Ricardo Lewandowski se valeu de um aforismo jurídico oriundo do Direito Romano. Em latim, “Quod non est in actis non est in mundo”; em português, “O que não está nos autos não está no mundo”. O ministro em questão explicava por que não podia condenar aquele réu, porque a acusação se valera de elementos que não existiam nos autos e, portanto, juridicamente não existiam no mundo.

Lewandowski se valeu, ainda, de outro aforismo muito mais conhecido, ao qual leigos como este que escreve também recorrem eventualmente: “In Dubio Pro Reo”, ou seja, “Em caso de dúvida, aja-se em favor do réu”. Se a prova é incerta por não estar nos autos ou por não ter confiabilidade plena, ainda mais sendo testemunhal, gera dúvida à condenação e, em dúvida havendo, o Direito obriga a que se decida a favor do acusado.

Assim, ao longo do julgamento da Ação Penal 470, vulgo “mensalão”, o que se pensava ser questão pacificada no Direito, até pela experiência jurídica brasileira, inverteu-se de forma casuísta em um julgamento de exceção. E o que é um julgamento de exceção se não aquele em que suas regras fogem à norma, constituindo-se em exceção para aquele julgado, seja em seu favor ou em seu prejuízo, ainda que se tenha convencionado usar essa figura para condenações.

Os tribunais de exceção não nos são estranhos. Há algum tempo, circulou pela mídia a foto de um desses tribunais. Nela, uma jovem de 19 anos, altiva, sentada no banco dos réus, olhava desafiadoramente para juízes militares que, por uma dessas supremas ironias da vida, protegiam as faces com as mãos em uma época de luta armada no país que obrigava a esses juízes dos tribunais de exceção a não se exporem enquanto estupravam o Estado de Direito.

Lewandowski, ao votar por absolver José Genoino e José Dirceu ao tempo em que pedia provas a pares que o interrompiam para já anteciparem votos condenatórios, provou, por A mais B, que a afirmação recente de seu par Celso de Mello de que aquele juízo não estaria produzindo inovação alguma não passa de falácia. Inovação há e está demonstrada em bom português e até em bom latim. E sem contestação objetiva, até aqui.

Um único ministro do Supremo erigiu toda a fundamentação jurídica para gerar ao menos a discussão sobre por que o julgamento da Ação Penal 470 seria um julgamento de exceção, um juízo casuísta, ainda que suas inovações possam ser apoiadas por vertentes outras do Direito internacional, mas que, ainda assim, não encontram no Direito brasileiro histórico digno de nota.

Lewandowski, para ensinar processo penal aos pares, não enfrenta “apenas” a quase todos, mas, também, uma máquina de moer gente que se convencionou chamar de mídia e que vai edificando a teoria de que há ministro do Supremo bom e ministro mau. Insinua a moenda midiática, pois, que o juiz que pede provas para condenar teria sido subornado de alguma forma. Assim, além do juiz, criminaliza-se qualquer um que concorde com ele.

Os pares de Lewandowski, em excessiva maioria, conseguiram montar um tribunal de exceção, casuísta, o qual, de acordo com o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, jamais será visto de novo, ou seja, não formará jurisprudência alguma, pois não se julgará e condenará pelos mesmos critérios acusados de crimes análogos aos citados na AP 470 e que integram partidos que surfam no mensalão do PT para tentarem conseguir na Justiça o que não conseguiram nas urnas.

A criminalização da política, também citada por Lewandowski, pois, foi uma das bases nas quais se assentou a última experiência ditatorial do Brasil. A ditadura militar baseou-se, antes de mais nada, na premissa de que era preciso tomar o poder à força e impedir o povo de votar porque a classe política era uma grande quadrilha que tinha que ser mantida longe do poder e das urnas. E lá se foram duas décadas de obscurantismo.

Arreganhos ditatoriais que juristas e cientistas políticos ora constatam vão sendo produzidos por juízes escolhidos de olhos fechados pela atual presidente da República e por seu antecessor, que julgavam estar aperfeiçoando a democracia ao aposentarem a prática dos antecessores de nomear aliados políticos para cargos como o de Procurador Geral da República e ministro do STF, mas que, em verdade, estavam dando azo ao autoritarismo.

No âmbito dessa escalada antidemocrática, ontem, por volta das 23 horas, o blogueiro recebe ligação de diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo dando conta de que, naquele exato momento, a Polícia estava invadindo sua sede por ordem da Justiça Eleitoral, que acolheu pedido da candidatura José Serra de apreensão de jornal daquele sindicato contendo declaração de apoio à candidatura Fernando Haddad.



Fonte: http://www.blogdacidadania.com.br/2012/10/lewandowski-contra-marionetes-do-autoritarismo/